quarta-feira, 9 de maio de 2012

Crônica

Estamos iniciando mais um bimestre e um de nossos eixos é a Crônica.
Confesso que é um tema o qual eu tenho profunda adoração e acredito que seja esse o tipo de literatura que afaga o coração, que nos faz rir, chorar e principalmente, faz com que nós nos vejamos retratados naquelas poucas linhas.
Mas, o que é crônica? Como construir uma crônica?
Abaixo está o vídeo da professora Clóris Torquato refletindo sobre o gênero "crônica" e sua análise de alguns textos enviados à Olimpíada de Língua Portuguesa.
Assistam:

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=UEQbIBeqEnI

Logo abaixo podemos ler uma crônica do Zuenir Ventura:


Um idoso na fila do Detran 

                “O senhor aqui é idoso”, gritava a senhora para o guarda, no meio da confusão na porta do Detran da Avenida Presidente Vargas, apontando com o dedo o tal "senhor". Como ninguém protestasse, o policial abriu caminho para que o velhinho enfim passasse à frente de todo mundo para buscar a sua carteira.
                O jornal tem recebido muitas cartas elogiando e outras criticando aquele departamento de tão má reputação. Afinal, melhorou ou não o serviço? Cheguei a pensar em sugerir à editoria de Cidade que mandasse fazer uma daquelas matérias em que o repórter desse o seu testemunho. Simularia tirar uma carteira e assim desfaria as dúvidas.
                Agora, ali, no posto da Gávea, esperando a minha vez, eu me sentia fazendo as funções desse repórter, e tudo começava bem. A operação toda não demorou nem meia hora e eu já ia aplaudir o atendimento, quando, ao lado da boa notícia - aprovação no exame de vista - me deram uma má: teria que ir à Avenida Presidente Vargas para pegar a carteira.
                Foi assim que acabei assistindo àquela confusão de que falei no início. Aliás, não só assisti como dela participei: o “idoso” que a dama solidária queria proteger do empurra-empurra não era outro senão eu.
                Até hoje não me refiz do choque, eu que já tinha me acostumado a vários e traumáticos ritos de passagem para a maturidade: dos 40, quando em crise se entra pela primeira vez nos “enta”; dos 50, quando, deprimido, se sente que jamais vai se fazer outros 50 (a gente acha que pode chegar aos 80, mas aos 100?); e dos 60, quando um eufemismo diz que a gente entrou na "terceira idade". Nunca passou pela minha cabeça que houvesse uma outra passagem, um outro marco aos 65 anos. E, muito menos, nunca achei que viesse a ser chamado, tão cedo, de "idoso", ainda mais numa fila do Detran.
                Na hora, tive vontade de pedir à tal senhora que falasse mais baixo. Na verdade, tive vontade mesmo foi de lhe dizer: “idoso é o senhor seu pai”. O que mais irritava era a ausência total de hesitação ou dúvida. Como é que ela tinha tanta certeza? Que ousadia! Quem lhe garantia que eu tinha 65 anos, se nem pediu pra ver minha identidade? E o guarda paspalhão, por que não criou um caso, exigindo prova e documentos? Será que era tão evidente assim?
                Como além de idoso eu era um recém-operado, acabei aceitando ser colocado pela porta adentro. Mas confesso que furei a fila sonhando com a massa gritando, revoltada: “esse coroa tá furando a fila! Ele não é idoso! Manda ele lá pro fim!” Mas que nada, nem um pio.
                O silêncio de aprovação aumentava o sentimento de que eu era ao mesmo tempo privilegiado e vítima - do tempo. Me lembrei da manhã em que acordei fazendo 60 anos: “Isso é uma sacanagem comigo”, me disse, “eu não mereço”. Há poucos dias, ao revelar minha idade, uma jovem universitária reagira assim: “Mas ninguém lhe dá isso”.           Respondi que, em matéria de idade, o triste é que ninguém precisa dar para você ter. De qualquer maneira, era um gentil consolo da linda jovem. Ali na porta do Detran nem isso, nenhuma alma caridosa para me “dar” um pouco menos.
                Subi e a mocinha da mesa de informações apontou para os balcões 15 e 16, onde havia um cartaz avisando: “Gestantes, deficientes físicos e pessoas idosas”. Hesitei um pouco e ela, já impaciente, perguntou: “o senhor não tem mais de 65 anos, não é idoso?”
                - Não, sou gestante - tive vontade de responder, mas percebi que não carregava nenhum sinal aparente de que tinha amamentado ou estava prestes a amamentar alguém. Saí resmungando: “não tenho mais, tenho só 65 anos”.
                O ridículo, a partir de uma certa idade, é como você fica avaro em matéria de tempo: briga por causa de um mês, de um dia. “Você nasceu no dia 14, eu sou do dia 15”, já ouvi essa discussão.
                Enquanto espero ser chamado, vou tentando me lembrar quem me faz companhia nesse triste transe. Aí, se não me falha a memória - e essa é a segunda coisa que mais falha nessa idade - me lembro que Fernando Henrique, Maluf e Chico Anysio estariam sentados ali comigo. Por associação de idéias, ou de idades, vou recordando também que só no jornalismo, entre companheiros de geração, há um respeitável time dos que não entram mais em fila do Detran, ou estão quase não entrando: Ziraldo, Dines, Gullar, Francis, Evandro Carlos, Milton Coelho, Janio de Freitas (Lemos, Barreto, Armando e Figueiró já andam de graça em ônibus há um bom tempo). Sei que devo estar cometendo injustiça com um ou outro - de ano, meses ou dias - e eles vão ficar bravos. Mas não perdem por esperar: é questão de tempo.
                Ah, sim, onde é que eu estava mesmo? “No Detran”, diz uma voz. Ah, sim. “E o atendimento?” Ah, sim, está mais civilizado, há mais ordem e limpeza. Mas, mesmo sem entrar em fila, passa-se um dia para renovar a carteira.
                Por via das dúvidas, acho melhor o jornal mandar um repórter não-idoso fazer a matéria.

(Crônica de Zuenir Ventura publicada no Jornal do Brasil, 7/9/96.)

A crônica se relaciona com o nosso dia-a-dia! Está presente em situações pelas quais passamos em nossas vidas. A crônica do Ventura conversa com o vídeo abaixo do Comédia MTV:

http://www.youtube.com/watch?v=HAZGEQP_M0M&feature=player_embedded

Viram? Tudo o que fazemos, pensamos,  pode resultar em um boa crônica. 
Que tal começarmos a escrever?


sábado, 13 de agosto de 2011

A Espada _ Luís Fernando Veríssimo

Uma família de classe média alta. Pai, mulher, um filho de sete anos. É a noite do dia em que o filho fez sete anos. A mãe recolhe os detritos da festa. O pai ajuda o filho a guardar os presentes que ganhou dos amigos. Nota que o filho está quieto e sério, mas pensa: “É o cansaço.”Afinal ele passou o dia correndo de um lado para o outro, comendo cachorro-quente e sorvete, brincando com os convidados por dentro e por fora da casa. Tem que estar cansado.

- Quanto presente, hein, filho?
- É.
- E esta espada. Mas que beleza. Esta eu não tinha visto.
- Pai…
- E como pesa! Parece uma espada de verdade. É de metal mesmo. Quem foi que deu?
- Era sobre isso que eu queria falar com você.

O pai estranha a seriedade do filho. Nunca o viu assim. Nunca viu nenhum garoto de sete anos sério assim. Solene assim. Coisa estranha… O filho tira a espada da mão do pai. Diz:

- Pai, eu sou Thunder Boy.
- Thunder Boy?
- Garoto Trovão.
- Muito bem, meu filho. Agora vamos pra cama.
- Espere. Esta espada. Estava escrito. Eu a receberia quando fizesse sete anos.

O pai se controla para não rir. Pelo menos a leitura de história em quadrinhos está ajudando a gramática do guri. “Eu a receberia…” O Guri continua.

- Hoje ela veio. É um sinal. Devo assumir meu destino. A espada passa a um novo Thunder Boy a cada geração. Tem sido assim desde que ela caiu do céu, no vale sagrado de Bem Tael, há sete mil anos, e foi empunhado por Ramil, o primeiro Garoto Trovão.

O pai está impressionado. Não reconhece a voz do filho. E a gravidade do seu olhar. Está decidido. Vai cortar as histórias em quadrinhos por uns tempos.

- Certo, filho. Mas agora vamos…
- Vou ter que sair de casa. Quero que você explique à mamãe. Vai ser duro para ela. Conto com você para apoiá-la. Diga que estava escrito. Era meu destino.
- Nós nunca mais vamos ver você? - pergunta o pai, resolvendo entrar no jogo do filho enquanto o encaminha, sutilmente, para a cama.
- Claro que sim. A espada do Thunder Boy está a serviço do bem e da justiça. Enquanto vocês forem pessoas boas e justas poderão contar com a minha ajuda.
- Ainda bem. - diz o pai.

E não diz mais nada. Porque vê o filho dirigir-se para a janela do seu quarto, e erguer a espada como uma cruz, e gritar para os céus “Ramil!”. E ouve um trovão que faz estremecer a casa. E vê a espada iluminar-se e ficar azul. E o seu filho também.

O pai encontra a mulher na sala. Ela diz:

- Viu só? Trovoada. Vá entender este tempo.
- Quem foi que deu a espada para ele?
- Não foi você? Pensei que tinha sido você.
- Tenho uma coisa pra te contar.
- O que é?
- Senta, primeiro.

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903, este é o texto que lemos em sala. Espero que sirva de inspiração para vcs criarem suas próprias crônicas.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Calcinhas e Meio-ambiente

Ontem, primeiro dia de aula desse novo semestre, a coordenadora passou nas salas dando boas-vindas (de novo) e pedindo aos alunos que conservem as salas limpas, pois haverá uma premiação no final do ano. 
Como sou muito intrometida, resolvi compartilhar a minha "Odisseia da Calcinha":
Certo dia, conversando com minha amiga Angélica sobre o que fazer quando as calcinhas ficam velhas, ela me contou algo muitíssimo interessante. Afinal, acho que é uma dúvida para todo mundo saber o que fazer com as roupas íntimas que já estão sem elástico, furadas nos fundilhos, manchadas de água sanitária... Ela me disse que pega as calcinhas velhas, lava, dobra bonitinho, bota em dois ou três sacos plásticos e joga no lixo. Mas por que tanto trabalho? Perguntei. Ela respondeu que é porque alguém no lixão vai catar, consertar e usar! 
Cara! Isso é óbvio! Já cansamos de ver reportagens de pessoas catando comida no lixão. Provavelmente, acharão minhas calcinhas. E, quanto mais eu separá-las do lixo comum, melhor para o catador.
Confesso que não sou politicamente correta, não sou muito "verde", mas, por conta disso passei a separar o meu lixo: orgânico e inorgânico. Ainda não separo em lixeiras coloridas e tal, mas como fiquei com pena do catador e nojo das minhas calcinhas limpas ficarem no mesmo saco com restos de comida, fiz a separação. O lixo orgânico fica na lixeirinha da pia e o resto, na lata maior (todo o resto acaba sendo reciclável). E é no lixo maior que vai a calcinha. 
Dia desses, joguei arroz (cru) fora. Não gosto muito do arroz parboilizado e não tinha o que fazer e nem para quem dar. Fiz o mesmo processo da calcinha: coloquei em três saquinhos. Entre o segundo e terceiro coloquei um bilhete carinhoso para o catador:

Sr. Catador,
troquei o arroz parboilizado pelo branco. Ele está limpinho e na validade. O Sr. pode consumí-lo sem problemas.
Um abraço, Ana Paula.

Não sei se fiz bem ou até mesmo se alguém vai achar meu arroz. Mas isso deixa meu coração e minha consciência em paz. Acho que essa é minha parte.

"Sei que meu trabalho é apenas uma gota no oceano, mas sem ele o oceano seria menor." Madre Teresa de Calcutá

"Fica sempre um pouco de perfume nas mãos que oferecem rosas."

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Reavaliação de Inglês

ATENÇÃO, PRESTEM MUITA ATENÇÃO!

Pessoal que está em reavaliação de Inglês (do Lazares), REFAÇAM os Workbooks das unidades 1, 2, 3 e 4!

Kss 4 u!

Cachorro-quente de Forno

Galera do 6º ano do CIEP 457, como veremos este bimestre RECEITAS, BULAS E MANUAIS DE INSTRUÇÕES, aí vai uma receitinha super fácil. Bjus!

Ingredientes

2 xícara(s) (chá) de farinha de trigo
2 xícara(s) (chá) de leite
2 unidade(s) de ovo
1 1/2 colher(es) (sopa) de fermento químico em pó.
100 gr de Queijo Ralado
Recheio
1 unidade(s) de cebolas picadas
1 unidade(s) de tomate picado(s)
1 unidade(s) de pimentão verde picado(s)
4 unidade(s) de salsicha em rodelas

Modo de preparo

Bata todos ingredientes no liquidificador . Junte o queijo ralado e bata mais um pouco.
Unte uma fôrma pequena e polvilhe farinha de trigo. Coloque metade da massa, todo o recheio reservado e depois cubra com o restante da massa.
Polvilhe queijo ralado e leve ao forno pré-aquecido por aproximadamente 30 minutos ou até ficar dourado.
Recheio

Misture todos os ingredientes e reserve.

A receita foi tirada do site Ciber Cook.

Songs in Real Life

Moçada, aí está o vídeo "Songs in Real Life".





E este aqui é o vídeo dos amigos das Mari Ladeira:

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Brasão do Estado do Rio de Janeiro


Queridos, este é o brasão de nosso Estado. Cliquem em cima dele, copiem (Ctrl + C) e colem (Ctrl +V) no documento a ser entregue.


Tecendo a Manhã



"Um galo sozinho não tece a manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele

e o lance a outro: de um outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzam
os fios de sol de seus gritos de galo
para que a manhã, desde uma tela tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.

A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão".


João Cabral de Melo Neto



Vamos todos juntos tecer não só a manhã, e sim, nosso amanhã.
Bons estudos!!!
Ana Paula.